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segunda-feira, 27 de junho de 2011

O Monólogo da Telefonista.





Quero contar mais um fato pitoresco da Babilônia.

De longe vejo na praça duas novas frequentadoras. Uma mulher altíssima com cara de sueca com seu poodle branco.  


Eu estava do outro lado da praça, vendo a calma do Dodi cheirando folha por folha da grama e o Ramon correndo por todos os lados.

Observei que a nova dupla movia se rapidamente de um lado para o outro. O poodle e a dona tinham olhos atentos para tudo que se movia. Não perdiam nada que se movimentasse.

            Abaixei-me, juntei o cocô do Ramon e ia em direção ao lixo, quando do nada, como um passe de mágica, materializa-se em minha frente “A Sueca”.

Ela inicia uma conversa:

- Oi tudo bem?

Eu, com a sacolinha de cocô na mão, responto:

-Tudo bem.

A sueca:

-Mudei há uma semana para um apartamento aqui perto. E estou adorando a praticidade de ter uma praça perto para pode levar a  Helga para passear ( era fêmea).

-È incrível a quantidade de pessoas que trazem o cachorro aqui. Hoje mesmo eu conheci o Lincon , a Ervazia, a Izabel a Dona Julia.

-Mas acho que eles não gostaram muito de mim. Você acredita que eu fui toda simpática conversar, mas eles não abriram a boca para falar comigo. Achava que o pessoal do centro era mais simpático.

Eu com o cocô na mão.

-Venho do bairro alto e lá as pessoas são bem mais simpáticas que aqui, elas falam mais de si.

            Neste instante pensei em falar que foi impressão dela, mas até meus pensamentos ela não deixou continuar.

-Tenho trauma de pessoas assim. Bom mesmo era trabalhar na Telepar onde eu era telefonista.

- Ai que saudades da Telepar.

-Lá eu falava toda hora. No inicio entrei por baixo, atendia apenas as ligações locais. Nossa era um corre – corre. Mas falava com um monte de gente sem educação.

- Ai que saudades da Telepar.

-Lá “a nível de benefícios” era ótimo. Tinha  plano de saúde, plano odontológico, vale refeição até ganhava presente no meu aniversário.

- Não sou destas mulheres que se contentam com pouco, lutei e passei para os interurbanos. Outro nível. As pessoas que fazem interurbanos eram outro nível.

-O difícil era mudar os cabos chamados de pegas, mas aprendi rápido a lidar com o painel, parece que o nome é PABX, não lembro faz muito tempo. No interurbano fiquei até amiga da toda poderosa telefonista da Embratel

Nesta hora suspiros e olhos para cima para relembrar.

-Essa sim deveria ser a mulher mais chique do Brasil, a telefonista da Embratel. Ela fazia ligações internacionais.

-Mas o tempo bom passou, a Telepar foi privatizada e eu fui demitida. Agora trabalho em um hospital.

-Odeio o Hospital.
Meia hora de %$#@@)((*&¨%$$##@)()**&*¨¨$&())_)(&¨¨%%$.

Mais alguns “-Ai que saudades da Telepar”!

Mais hospital-$#%$@@!!@&*())*&¨¨%...

 - Agora estou procurando outro emprego, quero me aposentar melhor. Com o salário do Hospital não dá.

- Mas você não sabe, tenho uma filho e meu ex marido %$$##¨&*())((*%$%#@@!

Quase uma hora depois, eu com o cocô na mão, consegui falar e falei:

-Tchau boa sorte.

No outro dia encontrei a Izabel.

-Izabel você conheceu um telefonista.

Ela olhou bem para mim e disse rindo.

-Ai que saudades da Telepar!!

Conselho do dia:

Monólogo só é bom no teatro e o ator deverá ser excelente. Senão é chato.



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